«há música, poesia, força e sentimento na tua prosa»



Discutimos, deitamos as mãos à cabeça e tombamos no cimento. Caímos. Quebramos. Sofremos. Frágeis criaturas do pós-moderno. Queria fugir para a ilha deserta, com serviço de massagens e sumos naturais. Levar livros ao quilo e plantá-los à beira-mar. Ser imortal, escrito na areia, e um gato, e um cão, e o sol. E ser muda. Gritar interior. Rebentar pelo canal das lágrimas. E haveria um comboio, verde, que passava todas as terças-feiras. E um foguetão, o mesmo que vi com a minha mãe. E os rins, cheios de creme de ovo, com o chocolate a sujar-me a cara. E a corda a bater nas minhas mãos. E eu a chorar, imbecil, ranhosa, púbere. Quero voltar à ilha. Verde. Deserta. Eu e Caliban. Fornicando. Fodendo. Fazendo. Deixando o tempo passar.