«há música, poesia, força e sentimento na tua prosa»



Ele

Os dias acordavam quase sempre chuvosos, naquela altura. Tinham colocado algumas tábuas espalhadas pelo carreiro de lama, para que Ele chegasse ao barracão sem sujar os sapatos. Pelas seis da manhã, quando a visita começava, elas já estavam todas alinhadas do lado esquerdo, em frente às janelas. Pequenas bonecas despidas, entre os cinco e os sete anos. Algumas choravam, outras mantinham-se absortas, procurando esconderijos no vazio das tábuas escuras de madeira. Quando chegava, sem falar, atravessava a sala e dirigia-se às casas de banho para lavar as mãos. Esfregava-as cuidadosamente, usando o seu próprio sabão, que trazia embrulhado num pequeno saco de plástico. Quando voltava à sala, as meninas começavam a chorar mais alto, algumas tentavam fugir, mas eram castigadas pelos cintos pretos das enfermeiras. A primeira menina da fila era normalmente uma repetente na Examinação, sabia que devia abrir as pernas e respirar fundo, o processo era rápido. Ele ajoelhava-se à sua frente e tentava introduzir o dedo médio na sua pequena vagina. Fazia-o cuidadosamente, segurando com a mão esquerda a coxa tenra da menina. Se tudo estava bem, avançava para a menina seguinte. O processo mantinha-se até à última menina da fila. Nos dias bons, como lhes chamavam as enfermeiras, quarenta e cinco minutos bastavam para a Examinação, mas às vezes era preciso acalmar algumas meninas, antes do processo. Os vergões traziam dores que rapidamente silenciavam a sala.  A Examinação era um processo meticuloso, movimentos mais bruscos podiam levar a rompimentos acidentais, o que seria severamente punido pelos Serviços Superiores. Ele nunca corria riscos, preferia mandá-las açoitar logo no início. Quando terminava, voltava às casas de banho traseiras, trancava a porta, dirigia-se ao lavatório mais afastado, desapertava o cinto e o botão das calças com a mão esquerda, que tombavam facilmente, baixava as cuecas brancas e empunhava o pénis erecto, a glande sempre molhada. De seguida, cuspia uma vez na mão direita e iniciava uma masturbação violenta. Quando o líquido esbranquiçado alcançava o espelho, deixava escapar alguns grunhidos mais alto. Se não o fizesse, ficava tão ofegante, que tinha de se apoiar na loiça do lavatório para não cair. Na sala ainda se ouviam as ordens para vestir rapidamente. A pouco menos de oitocentos metros dali, as mães esperavam as suas meninas. Voltariam dentro de seis meses.