«há música, poesia, força e sentimento na tua prosa»



Ti Palmira, a sedutora

Estranhei, com o calor que está, que não preferisse o ar fresquinho da sala, mas ela insistiu que o ar condicionado lhe fazia mal, preferia a sombrinha da parede, que lhe arranjasse um copinho de qualquer coisa fresca, que por ali ficava um bocadinho. A princípio, acreditei que era pela companhia, púnhamos a conversa em dia, enquanto eu ia torrando ao sol, de vassoura na mão, mas logo que se acabou o palavreado de circunstância, emudeceu quietinha. O rapaz, a menos de dez metros, de zunidoiro nas mãos, tinha tirado a camisola... idiota, pensei eu, mas fingi não ter reparado. Nem passados cinco minutos, ouvi-a murmurar entre dentes, olhócoirão, tapou-se. Quando deitei o olho novamente ao mânfio, tive vontade de rir. Ou o sol está quente ou a erva morde.