«há música, poesia, força e sentimento na tua prosa»



Pediram-lhe que se calasse, que a sua voz lhes incomodava a realidade, foco desfocado de uma tensão, nervo filiforme, músculo cansado, arquétipo inconsciente da exaustão. Que findasse o egoísmo de só falar, articulando o vácuo libertino da sineta, mulher maldita, maldita, maldita, que se fere por compaixão. Há-de calar-se com fogo, água fervente, pele escaldada, que se puxará de rompante e num instante, carne viva em carne suja, lixo, detrito cuspido ao chão. Muda, dos seus lábios, os beijos, inacabados, agora selados, numa asfixia de areia volvida, findarão.