«há música, poesia, força e sentimento na tua prosa»



Se o objectivo fosse o de não mentirmos, não enganarmos o próximo, nem o longínquo, a natureza nunca nos teria criado portadores de tamanha capacidade para a dissimulação. Ludibriamos quem nos circunda, fingimos cortesia, simpatia, agrado, às vezes em reciprocidade, tantas vezes para não magoar, todos os dias. É que nem sempre o silêncio, neutro, consegue tomar conta da situação, salvar-nos a face do espelho matinal.
Há dias, li uma frase de Rentes de Carvalho que me coube por inteiro. Dizia ele: Digo-me livre, e minto, fingindo que não vejo as grilhetas que me ferem, os laços de seda que apertam como fios de aço.
Por isso, hoje, sem análises profundas, junto-me a Karen Sousa e cantarolo baixinho lie to me...