«há música, poesia, força e sentimento na tua prosa»



Se me perguntassem qual o som que mais me aproxima de um possível éden, a resposta não demoraria mais do que um segundo, o som das ondas a bater na praia, arrulhando continuamente. Na esplanada, porque o cérebro pediu café e o corpo uma cadeira, não é fácil ouvir o bater das ondas com muita clareza. Há famílias inteiras que aliviam os seus barulhos na rua, crianças que correm, pais que gritam, cães que ladram, motas e carros que passam demasiado perto, trotinetes que chiam, cadeiras que se arrastam, pratos, copos, talheres, telemóveis com toques hediondos. No meio desta paisagem a que chamam de ambiente de férias e que a mim me faz lembrar a feira popular, espero pacientemente por aqueles segundos, pequenos sopros divinos, em que o silêncio parece congelar todos os movimentos, restando apenas a voz do mar. Bastam-me esses segundos, para eternizar a viagem.