«há música, poesia, força e sentimento na tua prosa»



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Porque insistes em falar daquela casa? - perguntas-me tu. Que te posso dizer? Não sei. Porque volta o criminoso ao local do crime, porque procura a vítima o seu carrasco? Porque nos atrai o precipício, sabendo de antemão que podemos cair? Dos velhos conheço a vida de ouvir dizer, não partilho do seu sangue, nem comungo do seu pão. Poderia escolher outros velhos, entre os milhões de velhos que habitam o mundo, mas não a casa, a casa tem de ser aquela, sobre aquela laje, construída daquele grão, suja daquele fumo, contendo em si todos os gritos paridos.