«há música, poesia, força e sentimento na tua prosa»



E a vida é assim, coisa bela dos livros, palpitações obscuras, tão puras, procurando sentidos, na vertigem de mundos paralelos. Pequenos cortes, insuspeitas fugas, sorrisos repentinos, languidez nos movimentos, suspiros inesperados, tantas vezes recordados, outras, vontade de não os ter. Do que magoa, passo inseguro, talvez mais longo do que a perna, nasceu o medo de andar. Tudo se tenta, compensando a ilusão, mãos dadas em aperto firme, a praia quase deserta, ondas que vêm morrer mansamente, algumas gaivotas pousadas, imagina um entardecer. Mais tarde, entre espasmos contínuos, o sabor a sal, o gosto a sangue, lâmina suave que degola, acariciando a incisão. Para que se finde, finalmente, feliz, há-de pensar. Com sorte, extravasada do seu contínuo ter de ser, em alheamento sincero, esquece o lado de cá, os imbecis e os mortos. Esta loucura, vida dicotomizada, experiência paralela cerebral, réstia quixotesca, virá dos livros, das palavras magicamente agrupadas. Do corpo, o jeito terno e um infinito desejo de satisfazer.