«há música, poesia, força e sentimento na tua prosa»



Cantilena

Insondáveis são os caminhos da vida, mistérios da natureza, minha mãe, doce vizinha, novinha, belas carnes, ó José, tinha a moça do café, não me incomode agora, senhor, tenho a sopa a ferver, a morcela é da boa, corte rente, por favor, nunca fui muito de beber, mau vinho, má ocasião, Deus ma deu, Deus ma levou, minha querida Alzira, mãe de cinco, cabeleireira de profissão, esconde, esconde, um, dois, três, corre, malandro, que te apanho, corre, que te deito a mão, senhor, uma esmolinha, por favor, tenho fome, quero comer, a meu ver, senhor engenheiro, temos aqui confusão, veja este vazamento, nunca se viu coisa assim, maquinaria avariada, é chamar-se o homem, e que traga o irmão, o do camião, cão? cão, meu grande cão, canídeo amarelo, mijador profissional, castrado pelo ti Jaquim, em tarde de bebedeira, bate, bate, o pão na eira, canta a ti Chitas, adufeira, Maria, vamos à feira!, chamava o regedor, ai minha mãe, ai minha mãe, gritava a Laurinda na hora de parir, Paris aqui vou eu, que fujo da guarda, alcoviteira que se bufou, certamente, não nasce aqui nada, não plante, senhor Clemente, assuma que foi você, que me disse que lhe deitava o dente, jeitosa, a viúva, ai se não, corro para apanhar o vinte e oito, braço em riste, carteira no bolso interior, boas tardes, menina Gininha, boas tardes, senhor Prior, sabes se os cucos já partiram este ano?, venha cá, meu mandrião, deixe que a mamã lhe componha a camisa, no Tamisa é que era, eu e tu, num barquinho, a vogar, os cucos não partem, avó, vieram para ficar, lagartas verdes nas couves, minha mãe, não as consigo matar, o coveiro já lá está, a terra está dura, não há ninguém que a vá lavrar, Maria, olhà blusa, filha, que hoje não te podes sujar, chega o teu pai, vem da guerra do ultramar, minha mãe, o meu pai está morto e eu vou me casar.